Conectar conta banco app é seguro? O que o Banco Central diz sobre Open Finance
Conectar conta banco app é seguro? Entenda como o Banco Central regula o Open Finance e protege seus dados financeiros no Brasil. Leia antes de decidir.
Quando você autoriza um app a ver suas contas e extratos, três empresas aparecem mais do que qualquer outra nos bastidores: Pluggy, Belvo e Klavi. Juntas, elas são a base técnica que conecta milhões de contas bancárias a apps de terceiros no Brasil — a maioria dos usuários nunca ouviu falar delas, mas dependem dessas empresas toda vez que abrem um app de controle financeiro.
O ecossistema que essas empresas ajudam a operar já é, segundo a Febraban, o maior do mundo: mais de 2,3 bilhões de chamadas por semana e 62 milhões de consentimentos ativos em janeiro de 2025. E cresce com cada nova adesão ao Open Finance Brasil.
Entender quem são essas empresas e como apps acessam sua conta bancária não é detalhe técnico — é o que separa quem usa tecnologia financeira com consciência de quem torce pra não ter problemas.
Agregador financeiro é a infraestrutura invisível que permite que um app de terceiros leia seus dados bancários sem que você precise digitar extrato na mão. É o encanamento. Ninguém fala do encanamento, mas quando ele falha, tudo para.
Antes do Open Finance Brasil, essa infraestrutura funcionava de um jeito que os bancos odiavam (e os reguladores também toleravam mal): screen scraping. O app pedia seu login e senha, entrava no internet banking como se fosse você, e copiava as informações na tela. Funcionava, mas era uma bagunça de segurança. Você estava essencialmente entregando as chaves do carro para um manobrista que você nunca conheceu.
Pluggy, Belvo e Klavi começaram operando nesse modelo antigo e, com a chegada do Open Finance Brasil a partir de fevereiro de 2021, migraram para uma via muito mais segura e padronizada, regulada pelo Banco Central.
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As três empresas fazem coisas parecidas mas com histórias e focos diferentes. Aqui está o que importa:
Pluggy nasceu em 2020, fundada por três brasileiros (Bruno Loiola, Rogério Corrêa e Victor Urano) e dois argentinos (Federico Miras e Gabriel Pan Gantes). Começou focada em conectores diretos (via screen scraping) antes do Open Finance Brasil existir, e hoje opera tanto com conectores regulados (Open Finance) quanto com conectores proprietários para cobrir instituições que ainda não aderiram ou produtos fora do escopo regulado.
Em 2024, obteve licença do Banco Central para atuar também como Iniciadora de Transação de Pagamento (ITP), o que permitiu entrar no segmento de pagamentos via Pix. Atende mais de 150 clientes, desde grandes bancos até pequenas startups. É a API que roda por baixo de vários apps que você provavelmente usa.
Belvo foi fundada em 2019 pelos espanhóis Pablo Viguera e Oriol Tintoré (também chamado Uri Tintore), que se conheceram trabalhando em uma fintech de pagamentos espanhola chamada Verse. Apesar de ser frequentemente descrita pela imprensa como "a Plaid da América Latina", a comparação é de modelo de negócio, não de origem: os fundadores não vieram da Plaid.
A Belvo começou operando no México em 2019, expandiu para a Colômbia, e só chegou ao Brasil em outubro de 2020. Essa pegada multi-país é o diferencial principal: para fintechs que planejam crescer além do Brasil, a Belvo oferece uma API unificada para três mercados com sistemas regulatórios distintos. Também já atua como ITP no Brasil e tem foco crescente em soluções para instituições reguladas.
Klavi foi fundada em 2020 por Bruno Chan e Stone Zheng. Não se posiciona apenas como um conector, mas como uma camada de inteligência sobre os dados financeiros — score de crédito baseado em Open Finance, análise de renda, categorização de gastos, identificação de comportamentos de risco. É muito usada por fintechs de crédito que precisam avaliar um cliente rapidamente sem depender só do Serasa.
Em abril de 2023, a Klavi adquiriu uma empresa com licença de ITP e passou a operar também no segmento de pagamentos — completando o ciclo de dados e transações.
As três são reguladas pelo Banco Central na medida em que participam do ecossistema de Open Finance. Nenhuma delas guarda sua senha bancária quando a conexão acontece via Open Finance — o que acontece é uma troca de tokens de autorização, não de credenciais.
Quando você conecta sua conta em um app que usa Pluggy, Belvo ou Klavi via Open Finance, o fluxo geral é este:
Esse modelo é baseado em OAuth (Open Authorization), o mesmo padrão que permite que você entre em sites usando sua conta Google ou Apple sem criar uma senha nova. No contexto do Open Finance Brasil, há uma camada regulatória adicional: os bancos são obrigados a participar e a honrar os tokens dentro de padrões técnicos definidos pelo Banco Central.
Vale um esclarecimento: conectores não regulados (fora do Open Finance) ainda existem para cobrir casos que o ecossistema regulado não atende — tipicamente investimentos específicos, contas PJ de instituições menores, ou serviços fora do perímetro financeiro tradicional. Nesses casos, o modelo pode envolver credenciais, e vale ler os termos com mais atenção.
O que muda com o Open Finance é que os bancos têm que abrir essa porta. Antes, cada conexão dependia de negociação comercial ou de screen scraping. Agora é direito seu compartilhar seus dados com quem você quiser — e os bancos não podem bloquear.
Os grandes bancos brasileiros — Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa — investiram pesado em Open Finance porque eram obrigados a, e porque quem não participa fica de fora da conversa. A Febraban estima que as instituições que ela representa já colocaram mais de R$ 2 bilhões na construção do ecossistema. Mas a lógica por trás desse investimento é clara: se você vai compartilhar seus dados com alguém, eles preferem que esse alguém seja outro produto deles.
O que eles perdem é o monopólio sobre a sua visão financeira. Quando você consegue ver todas as suas contas — Nubank, Itaú, XP, Tesouro Direto — em um lugar só, fica muito mais fácil perceber que o CDB do seu banco rende menos que uma alternativa óbvia disponível em dois cliques.
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Isso é exatamente o que os agregadores financeiros viabilizam. E é exatamente por isso que a Vela existe.
A Vela usa Open Finance Brasil para conectar todas as suas contas — corrente, poupança, investimentos, cartão de crédito — em um único lugar. Mas diferente de um app que só exibe saldo, a Vela processa esses dados e devolve respostas: você está guardando o suficiente? Sua reserva de emergência aguenta quanto tempo? Aquele investimento automático que o banco configurou pra você é realmente o melhor que você consegue?
Nenhuma dessas perguntas tem resposta sem uma visão completa da sua vida financeira. E nenhuma visão completa é possível sem a camada de infraestrutura que Pluggy, Belvo e Klavi representam — com o Open Finance Brasil como trilho regulatório que garante que os dados são seus, não do banco.
O consentimento é granular: você decide o que compartilha, com quem, e por quanto tempo. Quer revogar? Revoga direto no app do seu banco, sem precisar falar com nenhuma central de atendimento.
A arquitetura de token do Open Finance é segura. O problema, quando existe, costuma estar na camada humana: apps que pedem mais permissões do que precisam, termos de uso que autorizam uso de dados para finalidades que você não percebeu, ou empresas sem estrutura para proteger dados em caso de vazamento.
Algumas perguntas que valem antes de conectar qualquer conta:
Se alguma dessas respostas for vaga, evasiva ou inexistente, esse é o seu sinal para recuar. Um app financeiro sério não tem problema em responder nenhuma dessas perguntas — pelo contrário, costuma ser o primeiro a colocá-las na vitrine.
E um detalhe que quase ninguém comenta: você não precisa confiar num app para sempre. O consentimento do Open Finance Brasil tem prazo — normalmente 12 meses — e pode ser revogado a qualquer momento no app do seu próprio banco. Se algo te incomodar, você corta a conexão num clique, sem atrito.
O Open Finance Brasil ainda está se consolidando. A próxima onda — Open Insurance, Open Investment, e eventualmente Open Finance corporativo para empresas — vai ampliar ainda mais o que agregadores como Pluggy, Belvo e Klavi conseguem fazer. Produtos que hoje parecem fragmentados (seguros, previdência, investimentos em múltiplas corretoras) devem começar a convergir em experiências únicas.
Para o usuário final, isso significa algo simples: a fricção de trocar de banco, de comparar produtos, de visualizar sua vida financeira inteira vai continuar caindo. Para os bancos tradicionais, significa que a régua de concorrência sobe. Para apps como a Vela, significa que a matéria-prima (seus dados, com seu consentimento) fica cada vez mais rica e completa.
Não. São empresas de tecnologia que operam como infraestrutura de dados e, em alguns casos, de pagamentos (como Iniciadoras de Transação de Pagamento autorizadas pelo Banco Central). Elas conectam apps financeiros às instituições onde você já tem conta.
Quando a conexão acontece via Open Finance Brasil, não. O modelo usa tokens de autorização emitidos pelo próprio banco, e sua senha nunca sai do ambiente do banco. Em conectores não regulados (fora do Open Finance), o modelo pode envolver credenciais — nesses casos vale conferir os termos e políticas do app.
Open Banking era o nome da fase inicial do projeto, focada em dados bancários (contas, cartões, crédito). Open Finance é a evolução que inclui também seguros, previdência, investimentos e câmbio. O termo oficial no Brasil hoje é Open Finance.
Direto no app do seu banco, na seção de Open Finance ou compartilhamento de dados. Você encontra a lista de apps autorizados, o escopo de cada consentimento e o botão de revogar. Não precisa falar com atendimento.
Pode, mas perde muita coisa. Sem Open Finance, o app só vê o que você digita manualmente ou o que consegue importar via arquivos. Com Open Finance, ele tem uma visão atualizada e estruturada de tudo o que você autorizou.
Depende do escopo do seu consentimento. Pode incluir dados cadastrais, saldos, extratos de conta corrente e poupança, faturas de cartão, operações de crédito, investimentos e, com a fase 4, produtos de seguros e previdência. Você escolhe o que compartilhar antes de autorizar.
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É uma empresa de infraestrutura que permite que apps financeiros acessem dados das suas contas bancárias com segurança e com sua autorização, sem que você precise compartilhar sua senha. Elas funcionam como intermediários técnicos entre o seu banco e o app que você usa.
Com Open Finance Brasil, o acesso usa tokens de autorização — não a sua senha. O banco emite uma chave temporária para aquela conexão específica. Ainda assim, vale verificar se o app é regulado, o que ele solicita acesso e se é fácil revogar a permissão depois.
Pluggy tem foco no mercado brasileiro e conecta mais de 300 instituições. Belvo tem abrangência latino-americana, útil para fintechs que operam no Brasil, México e Colômbia. Klavi adiciona uma camada de análise sobre os dados, como scoring de crédito e avaliação de renda, sendo muito usada por fintechs de crédito.
Com o Open Finance Brasil, os bancos são obrigados a abrir seus dados (com consentimento do usuário) para qualquer instituição autorizada. Isso significa que você pode ver todas as suas contas em um lugar só, comparar produtos financeiros com mais facilidade e revogar acessos quando quiser — sem depender de cada banco separadamente.
A Vela conecta todas as suas contas — corrente, investimentos, cartão — via Open Finance Brasil e usa IA para interpretar esses dados e dizer o que fazer a seguir. Não é só um painel de saldo: é uma análise ativa da sua situação financeira.
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